segunda-feira, 20 de março de 2017

ABC aumenta vantagem no Frasqueirão


Com a vitoria do Abc 4x1 sobre o America o classico Rei do RN chegou a 24 edição jogada no Frasqueirão.

O placar do confronto:
 
Total de jogos – 24
Vitórias do ABC – 10
Vitórias do América – 05
Empates – 09
Gols do ABC – 35
Gols do América – 27

ABC massacra America e aumenta crise

O ABC goleou o América por 4 a 1, neste domingo(19/3), no estádio Frasqueirão, válido pela terceira rodada da Copa RN. Além do passeio”, o Alvinegro aumentou ainda mais a crise do Alvirubro, que continua sem vencer no returno do Campeonato Potiguar. Os gols do jogo foram marcados por Cleiton, Gegê, duas vezes, e Richardson, contra. O zagueiro Paulão descontou para os rubros. O é lanterna do returno com um ponto.
Na próxima rodada, o ABC vai encarar o Santa Cruz e o América enfrenta o Globo FC, na Arena das Dunas.

quinta-feira, 9 de março de 2017

CBF divulga a Serie D 2017

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou(9/3) a tabela básica da Série D do Campeonato Brasileiro 2017. São 68 times, divididos em 17 grupos de quatro clubes. A competição começa no dia 21 de maio e tem previsão para termino no dia 03 de setembro. Os representantes do Rio Grande do Norte: Potiguar de Mossoró, Globo FC e o América de Natal estão inseridos nos grupos A5, A6 e A9, respectivamente.
Grupo A5: Potiguar de Mossoró, Maranhão, River e Uniclinic
Grupo A6: Parnahyba, Globo FC, Guarani de Juazeiro e América de Pernambuco
Grupo A9: América de Natal, Murici, Jacobina e Sergipe
Confira os jogos da primeira fase:América: Murici (c) Sergipe (f) Jacobina (c) Jacobina (f) Sergipe (c) Murici (f)
Globo: Parnahyba (f), Guarani (c) América (f) América (c) Guarani (f) Parnahyba (c)
Potiguar de Mossoró: Maranhão (c), Uniclinic (f) River (c) River (f) Uniclinic (c) e Maranhão (f)
RegulamentoO sistema de disputa da Série D consiste em 17 grupos de quatro clubes cada. Avançam para a Segunda Fase os primeiros de cada grupo e os 15 melhores segundos colocados, em soma de 32 clubes. A partir desta etapa, a competição é disputada em sistema de mata-mata, com mais cinco fases até a definição do título.

America contrata Flavio Araújo

Após estrear (8/3) diante do Santa Cruz na estreia do segundo turno do Campeonato Potiguar, a diretoria alvirrubra conversou com o técnico Felipe Surian e acertou a sua saída do clube. Para o seu lugar, Flávio Araújo foi  contratado e assumi imediatamente.

Conhecido como "Rei do Acesso", Flávio é um sonho antigo da torcida desde a vitoriosa campanha na Série C de 2011, quando o Mecão terminou a competição na segunda colocação e se garantiu na Série B de 2012. 

O treinador foi jogador de futebol e começou a carreira como treinador em 1998 a frente do Icasa-CE. Suas principais conquistas foram os acessos à Série B do Brasileiro com o próprio Icasa-CE em 2009 e com o Sampaio Corrêa em 2014. Outras campanhas de destaque de Flávio Araújo foram os acessos da Série D para a C com o Sampaio Corrêa em 2013, e com o River-PI em 2015
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segunda-feira, 6 de março de 2017

Globo campeão do 1º turno




A águia de Ceará-Mirim voltou a campo para realizar a decisão da Copa Cidade do Natal e sagrou-se a equipe campeã do turno. Jogando na tarde deste domingo, (05), na Arena das Dunas o tricolor de Ceará-Mirim vence o ABC por 2x0 gols de Renatinho Carioca aos 45 minutos da etapa inicial em uma cobrança de falta, e Renatinho Potiguar aos da segunda etapa um golaço, o Globo FC partiu no contra-ataque com Ângelo e o lateral levou a bola até a linha de fundo para segurar e ganhar tempo. O time do ABC se confundiu e pediu a saída de bola, mas o árbitro deixou tudo valendo. Glaucio pegou a bola e rolou para Renatinho Potiguar chutar sozinho e com categoria no ângulo.

Com o título o tricolor de Ceará-Mirim garantiu uma vaga na final geral do Campeonato Potiguar e as vagas na Copa do Nordeste e Brasil. 

Fonte:  Site Oficial do Globo 

Os numeros do campeão da Copa Cidade do Natal


Confira a campanha do tricolor de Ceará-Mirim na Copa Cidade do Natal:

15/01 ABC 2x0 Globo FC

19/01 Globo FC 3x0 Alecrim

25/01 Santa Cruz de Natal 1x1 Globo FC

29/01 Globo FC 2x0 América

02/02 Potiguar de Mossoró 0x1 Globo FC

05/02 ASSU 1x1 Globo FC

19/02 Globo FC 1x0 Baraúnas

22/02 Globo FC 1x1 ABC

05/03 ABC 0x2 Globo FC

Total:

5 vitórias,

3 empates

1 derrota

Gols marcados: 12

Gols sofridos: 5

Principais goleadores:

6 - Renatinho Carioca
3- Luizão
1- Romarinho, Bismarck e Renatinho Potiguar

 

Fonte: Site Oficial do Globo 

sexta-feira, 3 de março de 2017

CBF define 3º fase da Copa do Brasil

A CBF definiu os jogos da terceira fase da Copa do Brasil, e o ABC estreia no próximo dia 8, jogando no Morumbi contra o São Paulo, com a partida de volta, no Frasqueirão no próximo  dia 15.

O regulamento estabelece que para a terceira fase, quando houver igualdade em pontos ganhos ao final das duas partidas, os critérios para desempate serão os seguintes:   maior saldo de gols;  maior número de gols pró assinalados no campo do adversário e por fim, cobrança de pênaltis, de acordo com os critérios adotados pela International Board. A disputa de pênaltis, quando aplicável, deverá ser iniciada em até 10 minutos após o término da partida de volta.


Além de ABC x São Paulo, os confrontos pela terceira fase são os seguintes:
Criciúma x Fluminense
Vasco x Vitória
ASA-AL x Bahia
Luverdense-MT x Corinthians
Boavista x Sport
Joinville x Gurupi-TO
Murici-AL x Cruzeiro
Sampaio Corrêa-MA x Internacional
Goiás/GO  x  Cuiabá/MT

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

As mudanças da Serie B em 2017


A principal mudança  anunciada após as novas orientações da Conmebol  é que o campeão da Série B deste ano terá vaga garantida nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2018. Também foi colocada em pauta a extinção de venda de mandos de campo para fora do estado do time mandante. De forma unânime, a proposta foi aprovada, a exemplo da Série A.

Outra novidade debatida e aprovada pelos presentes foi o limite de inscritos na competição. Os clubes poderão inscrever 40 jogadores até o último dia útil antes da 20ª rodada (início do returno). Além disso, foi aprovada a data limite para registro de atletas para 4 de setembro – último dia útil anterior à 25ª rodada.

Sobre a divisão de cotas da Série B 2017, foi apresentada uma nova proposta, devidamente aprovada. Com exceção de Internacional e Goiás, os 18 clubes participantes da competição terão: 60% do valor dividido de forma igualitária; 40% do valor dividido de acordo com a classificação do último campeonato.

Também foram confirmadas as datas da Série B 2017. A competição será realizada de 13 de maio a 25 de novembro – sendo o primeiro turno até 5 de agosto, e o returno tendo início no dia 12 do mesmo mês.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CBF divulga tabela da Serie B

 
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou(21/1) a tabela básica do Campeonato Brasileiro da Série B 2017. A competição está marcada para iniciar no dia 12 de maio e tem seu término previsto para o dia 25 de novembro.
Único representante do Rio Grande do Norte na Série B, o Mais Querido estreará no campeonato jogando em casa, ao lado da Frasqueira. O ABC iniciará a disputa contra a equipe do Paraná Clube/PR, no estádio Frasqueirão, em data ainda a ser definida pela CBF, ou na sexta-feira, dia 12 de maio, ou no sábado, dia 13 de maio.
Breve, a entidade
divulgará a tabela detalhada da competição, com a definição de datas e horários de todas as partidas.

Confira a sequência de jogos do Clube do Povo no turno:
1ª rodada – ABC x Paraná Clube/PR
2ª rodada – Internacional/RS x ABC
3ª rodada – ABC x Vila Nova/GO
4ª rodada – Santa Cruz/PE x ABC
5ª rodada – ABC x Paysandu/PA
6ª rodada – ABC x Figueirense/SC
7ª rodada – Juventude/RS x ABC
8ª rodada – Goiás/GO x ABC
9ª rodada – ABC x CRB/AL
10ª rodada – Boa/MG x ABC
11ª rodada – ABC x Guarani/SP
12ª rodada – ABC x Náutico/PE
13ª rodada – Londrina/PR x ABC
14ª rodada – Luverdense/MT x ABC
15ª rodada – ABC x América/MG
16ª rodada – Criciúma/SC x ABC
17ª rodada – ABC x Brasil de Pelotas/RS
18ª rodada – Oeste/SP x ABC
19ª rodada – ABC x Ceará/CE

 
tabela completa:
 
http://cdn.cbf.com.br/content/201702/20170221175253_0.pdf

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Definidos confrontos da 2º fase da Copa do Brasil

A CBF divulgou a tabela detalhada com a definição das datas e horários dos confrontos válidos pela 2ª fase da Copa do Brasil 2017. O duelo entre ABC e Audax-SP será realizado no estádio Frasqueirão, no dia 1º de março, às 19h30, em Natal.

A disputa será em jogo único, mas em caso de empate o time classificado será decidido nos pênaltis.
Todos os confrontos da segunda fase da Copa do Brasil:
22/02 

Murici-Al x América-MG
Portuguesa-SP x Boavista-RJ
Criciúma x Altos-PI
Vitória x Bragantino
Sport x Sete de Setembto-MS
Cruzeiro x São Francisco-PA
Internacional x Oeste-SP


23/02
Coritiba x ASA-AL

25/02
Paraná x Bahia

26/02
Sampaio Corrêa x Guarani-CE

01/03
Sinop-MT x Fluminense
Joinville x São Raimundo-PA
Avaí x Luverdense
Ponte Preta x Cuiabá
PSTC-PR x São Paulo
ABC x Audax-SP
Gurupi-TO x Rio Branco
Remo ou Brusque x Corinthians
Boa Esporte-MG x Goiás
Vila Nova x Vasco

 

A História do Primeiro Jogo Internacional de Futebol no Rio Grande do Norte

Autor – Rostand Medeiros
QUANDO O AMÉRICA F.C. GANHOU DO MELHOR TIMEDE FUTEBOL DA MARINHA INGLESA


Em uma tranquila tarde de uma quinta feira, dia 27 de agosto de 1931, a capital potiguar, que na época era uma cidade que nem sequer possuía 40.000 habitantes, seguia a vida sem maiores novidades.
O cruzador “Dauntless” entrando em um porto na década de 1930

A monotonia foi quebrada pelo surgimento de um navio de guerra, na cor cinza, que se prostrou diante da barra do Rio Potengi.
Este era o cruzador “H.M.S. Dauntless” que realizava a sua primeira visita ao Brasil e a capital potiguar havia sido escolhida como sua primeira parada em terras tupiniquins.
Jornal “A Republica”, edição de 28 de agosto de 1931

A chegada deste poderoso navio parou a nossa cidade. Segundo informações dos tripulantes ingleses, ao longo da margem do Rio Potengi se debruçavam mais de 5.000 natalenses, observando extasiados, no final da tarde, aquele barco de 144 metros de comprimento, que entrava vagarosamente no rio, ostentando a bandeira inglesa na sua proa.
Capitão John Guy Potheroe Vivian

O “Dauntless” era comandado pelo oficial da Marinha de Sua Majestade John Guy Potheroe Vivian, mais conhecido como capitão J. G. P. Vivian, um veterano comandante naval, calvo, com 44 anos, alto e extremamente educado.
Natal, Avenida Duque de Caxias, Ribeira, década de 1930

Este foi recebido no cais pelo Vice Cônsul inglês em Natal, o Sr. Eric Gordon, que apresentou o capitão do “Dauntless” ao então comandante do Regimento Policial Militar, o tenente coronel Sandoval Cavalcanti de Albuquerque, que representava Herculino Cascardo, o então Interventor Federal. Cascardo era um oficial da Marinha do Brasil, com apenas 31 anos de idade, que governava o Rio Grande do Norte desde julho daquele ano por indicação de Getúlio Vargas, seguindo a ordem vigente com a deflagração da Revolução de outubro de 1930.
A chegada do cruzador foi noticiada pelos jornais da época como sendo “Uma tranquila visita de cortesia de 400 oficiais e marinheiros da marinha de Sua Majestade”.
Para os ingleses o local que visitavam era conhecido como “Port Natal”. Eles acharam os edifícios da cidade bem construídos e bastante modernos, mas as ruas eram muito ruins. Realmente nesta época Natal tinha poucas ruas calçadas e como eles estavam chegando ao final de agosto, de um ano de chuvas regulares no litoral, as nossas artérias deveriam estar em péssimo estado de conservação.
Os marujos estrangeiros se espantaram com a grande quantidade de pessoas que frequentavam o porto para ver os hábitos e a rotina dos membros do “Dauntless”.
No sábado, dia 29 de agosto, entre as duas e às seis da tarde os tripulantes abriram seu cruzador a visitação e mais de 5.500 natalenses estiveram a bordo do “Dauntless”. O estranho para os marujos foi mostrar o que havia no navio apenas por meio de gesticulações. Nesta noite os ingleses colocaram sua banda para tocar no convés e uma multidão foi atraída pela música, passeando pelo cais do porto e aplaudindo entusiasticamente a seleção musical apresentada.
Jornal “A Republica”, edição de 30 de agosto de 1931

Não faltaram nesta visita recepções que movimentaram a capital potiguar, com um baile a bordo do cruzador e outras festividades. Entre estas foi organizada uma festa em honra a visita dos ingleses no Aero Clube, considerado pelos visitantes como o principal local de encontro da sociedade de Natal.
Logo os tripulantes do cruzador souberam que havia poucos cidadãos da terra de Sua Majestade na cidade e que a maioria destes trabalhava junto a empresas que exportavam algodão, a nossa principal matéria prima. Mas havia um comércio que chamou a atenção dos marujos estrangeiros; o de peles de cobra e de lagarto para a fabricação de calçados femininos.
Entrada do “Juvenal Lamartine”, entre o final da década de 1920 e início da seguinte. A imagem mostra, conforme se apresentam as bandeiras hasteadas, que provavelmente estava ocorrendo um clássico entre o América e o ABC

Os homens do “Dauntless” acharam que a população natalense mantinha um padrão de vida muito baixo. Entretanto consideraram a cidade muito calma, onde e as pessoas ficavam na rua no máximo até as dez e meia da noite e depois tudo era silêncio. Mas em compensação a cerveja era de boa qualidade, muito barata e abundante.
Outro dado interessante desta visita foi que os marujos ingleses informaram que não existiam cabarés na cidade em 1931. Se a afirmação era correta, ocorreriam muitas mudanças em pouco mais de dez anos, quando Natal receberia milhares de militares americanos e iria conhecer a paraibana Maria Alves Barros, a famosa Maria Boa.
Mas se não havia cabarés, havia futebol e logo os ingleses se animaram para jogar.
Em pouco tempo foi organizado para o domingo, dia 30, um jogo entre os membros do time do “Dauntless” com os jogadores do América Futebol Clube, campeão estadual do ano anterior e considerado a melhor equipe potiguar naquela época.
Logo a edição matutina do jornal “A Republica” do dia 30 de setembro de 1931, anunciava o sensacional “Match” que ocorreria naquela tarde. O jornal informava que a cidade se encontrava em grande euforia com aquele jogo. E não era para menos, pois iria se realizar o primeiro embate entre uma equipe de futebol potiguar e um time de outra nação.
Parte da Frota da Marinha de Sua Majestade. Na foto são navios baseados no Mar Mediterrâneo

O confronto seria realizado no Estádio Juvenal Lamartine, ou campo do Tirol, também conhecido como campo da Liga de Desportos Terrestres. A antiga Liga é a atual Federação Norte-Rio-Grandense de Futebol, que naquele ano era dirigida pelo Dr. Potiguar Fernandes e tinha Eliseu Leite como tesoureiro.
Um detalhe interessante é que nenhum momento, as reportagens sobre o jogo indicam o nome do campo como “Stadium Juvenal Lamartine”, batizado em honra a este conhecido governador potiguar. A razão foi a deposição de Juvenal em 5 de novembro de 1930, como parte do processo revolucionário desencadeado em outubro do ano anterior.
Estaria presente ao espetáculo o Dr. Gentil Ferreira de Souza, então delegado da Confederação Brasileira de Desportos, a extinta CBD (atual CBF) e futuro prefeito de Natal. Gentil Ferreira havia sido nomeado para este cargo por Renato Pacheco, presidente da CBD na época, conforme podemos comprovar em nota publicada na primeira página da “A Republica”, edição de 2 de julho de 1931.
Haveria uma preliminar, que começaria as escaldantes duas da tarde, onde Aparício Martins estaria na arbitragem entre o time do Força e Luz S. C. e um clube que possuía o estranho nome de “Morte F.C.”.
A tranquilidade da Avenida Rio Branco Na década de 1930

Mas o que ninguém queria perder era o jogo entre o campeão local e aquele que foi propagado pelos jornais como o “melhor time de toda a armada britânica”.
Através de informações fornecidas pelos ingleses, no cruzador “Dauntless” a prática esportiva era tão incentivada, que ele mais parecia um ginásio olímpico flutuante do que uma arma de guerra naval. Os dados apontam que além do futebol, a bordo havia equipes de críquete, rúgbi, polo aquático e hóquei sobre a grama.
O time de futebol do barco de guerra da Royal Navy (Marinha Real) utilizava uma combinação um tanto estranha para seu uniforme; camisa azul escura e calção kaki. O calção chamou a atenção de todos na cidade, pois possuía a mesma coloração utilizada pela força policial na época.
Mas independente do que vestiam, os marujos deveriam se sentir extremamente superiores no trato com a bola.
Segundo dados fornecidos pelos próprios ingleses, O “Dauntless” pertencia nesta época a Divisão de Cruzadores do Atlântico e eles afirmavam serem os campões de futebol deste setor da marinha inglesa. Aquele era o terceiro cruzeiro do navio pelos mares Atlânticos e, até aquela data, haviam realizado 23 paradas em diversos portos da América do Norte e Central, onde realizaram 37 jogos de futebol. Destes haviam vencido 22 partidas, tiveram 8 empates e sofreram 7 derrotas. A equipe do cruzador havia marcado incríveis 116 gols e sofrido apenas 29 tentos dos adversários.
Como havia uma rivalidade muito grande entre as tripulações dos navios da marinha de Sua Majestade, para os homens do “Dauntless” a vitória mais importante, pelo placar de 2 a 1, foi contra a equipe do cruzador inglês “H. M. S. Dheli”, em um embate ocorrido durante uma parada em Nova York, Estados Unidos.
Nesta época a Marinha da Inglaterra era a maior do mundo em número de navios de guerra, com diversas frotas atuando em todos os oceanos do planeta e o futebol era extremamente incentivado entre seu pessoal.
Símbolo da Royal Navy Football Association

Para organizar campeonatos entre as várias frotas, só com uma entidade própria, no caso uma associação. A Royal Navy Football Association havia sido criada em fevereiro de 1904 e tinha a sua sede na base naval de Portsmouth, uma das maiores daquela marinha.
Não é difícil de imaginar que naquela época, esta entidade futebolística era maior e tinha uma atuação muito mais ampla que a própria FIFA.
Mas agora os marujos da terra de Sua Majestade se batiam pela primeira vez com sul-americanos, representados pelos brasileiros do América de Natal.
O jogo foi marcado para as três e meia da tarde, com dois tempos de 45 minutos e o apito ficou a cargo do Dr. Aníbal Azevedo. Estariam presentes na tribuna de honra do campo o Interventor Cascardo, o capitão Vivian, o Cônsul Gordon e outras autoridades.
Um exemplo do engajamento dos marinheiros ingleses em atividades esportivas ao redor do mundo. Na foto vemos membros da tripulação do encouraçado “H.M.S. Hood” com uma taça a ser disputada em um jogo no Rio de Janeiro, em setembro de 1922

Jack Romaguera, diretor da Companhia Força e Luz, responsável pelos transportes urbanos na capital potiguar, mandou aumentar o número de bondes e ônibus para trazer a maior quantidade de torcedores para apoiarem a equipe do América.
Os preços dos ingressos para assistir o espetáculo seriam de 3.000 réis a arquibancada. As senhoras, crianças e o pessoal da “geral”, pagariam 1.000 réis e quem fosse de carro, era cobrado o valor de 2.000 réis por pessoa. Aqui acredito que ainda não havia um muro lateral no campo e o pessoal mais abonado da cidade assistia o jogo de seus veículos.
Seria entregue ao vencedor uma taça denominada “Eric Gordon”, em honra ao Vice Cônsul inglês, o grande incentivador da realização do jogo.
O comentário nos jornais foi que a taça havia sido adquirida pelo próprio Gordon, sendo definida como uma bela e caríssima peça de decoração de sua residência em Petrópolis, mas diante de tão importante acontecimento ele decidiu ceder o objeto para o campeão da peleja desportiva. O belo troféu havia sido comprado em uma visita recente que Gordon havia feito a Amsterdam, na Holanda e era considerada pelos jornalistas locais como “Uma beleza em bronze, confeccionada de maneira nobre”.
Jornal “A Republica”, edição de 30 de agosto de 1931

Apesar de todo o característico cavalheirismo inglês, a fanfarronice deles estava a toda e tinham a certeza da vitória.
O time do cruzador “Dauntless” entraria com o artilheiro naval Blake como “goalkeeper” (goleiro), o timoneiro Kelleway e o sinaleiro Barrington eram os “backs” (beques). Já ao telegrafista Pay não era apontada a sua posição no campo, mas comentavam ser competente no que fazia. O marinheiro Cartland era um bom “center half” (centro de meia), já o baixinho Castlelman era tido como “ligeiro” e havia o ponta Giblin, que no navio exercia a função de cozinheiro. O artilheiro naval Hillier era considerado muito bom driblador, ótimo cobrador de escanteios e era uma espécie de líder do time. Já o mecânico naval Robson e o marujo Hall eram os armadores. O marujo Lynch era um bom driblador sendo considerado o craque da equipe inglesa. Já a função de técnico estava a cargo do tenente A. B. R. Sands.
O H.M.S. Dauntless

Já o nosso América Futebol Clube era um time ainda considerado amador, que se reunia de forma voluntária para jogar pelo amor ao desporto e a camisa. Na época, através dos jornais locais, os jogadores eram “convidados” a comparecerem aos treinos e aos jogos. O jornal não fala em nenhum momento que seriam ofertados prêmios em dinheiro para os jogadores do Mecão.
A escalação do time para o importante jogo era composta dos “Players” Milton (goleiro), Everardo de Barros Vasconcelos, Hemetério e Canuto (beques), Jeremias Pinheiro Junior, João Teixeira de Carvalho e Reynaldo Praça (linha média), Glicério, Neném, Baltazar e Acióli (atacantes). Não foi divulgada aqueles que ficaram na “grade”, como era conhecido aqui em Natal, o pessoal que estavam no banco de reservas.
Lendo os jornais do período percebemos que a imprensa natalense, proporcionalmente não dava maiores detalhes sobre a equipe alvirrubra, ou sobre a sua preparação, o espirito reinante no grupo e nem abordava maiores informações sobre os jogadores.
Arquibancada coberta do “Stadium” Juvenal Lamartine

Certamente que os ingleses eram uma força respeitável, merecia destaque como visitantes e os nossos jornais pareciam não acreditar no time vermelho. Além disso, havia o caso do último jogo do campeonato brasileiro.
Naquela época a extinta CBD promovia um “Campeonato Brasileiro de Foot-ball”, entre as seleções dos estados. Em 9 de julho de 1931, desembarcam do paquete “Pará” os jogadores da seleção de futebol cearense para um grande jogo contra os potiguares, criando uma enorme movimentação na cidade. Até o juiz da partida, o pernambucano Lindolfo Altino, designado pela CBD, veio de Pernambuco em um avião de linha da companhia Sindicato Condor.
Havia uma grande discussão nos jornais da cidade sobre a formação do time potiguar, que seguia para a pugna contra os cearenses apenas com jogadores americanos e abecedistas. Houve até mesmo um equilíbrio na convocação do time, onde cinco jogadores rubros foram chamados; Neném, Pinheiro, Hemetério, Acióli e Glicério.
Mas o resultado do jogo, realizado no domingo, 12 de julho, foi um desastre. O time potiguar perdeu de 8 a 5 para os cearenses.
Na crônica sobre o jogo, publicado em “A Republica”, em 14 de julho, vemos que a imprensa local foi muito dura em suas críticas aos jogadores rubros. Pinheiro foi tratado como “O mais fraco dos atacantes”, Glicério “Pouco produziu”. Acióli, mesmo tendo marcado um tento, sendo classificado como “esforçado”, foi criticado por ter chutado pouco contra o gol cearense.
Não seria nenhuma surpresa que estas críticas marcaram os atletas americanos que participaram daquele jogo e eles aguardaram o momento para mostrar ao público potiguar que tinham o seu valor.
Mas voltando ao jogo do time rubro contra os ingleses, sabemos que o campo, ou “Field”, do Tirol lotou. Mas antes teve a preliminar.
E a “Morte” venceu o Força e Luz S.C.
O placar foi 3 tentos a 2, com os gols da equipe vencedora sendo marcados por Montenegro (2) e Toseli (1), em meio a muita correria. É informado que a equipe com uma denominação que evoca tanta negatividade tinha um uniforme totalmente preto. Foi ofertado ao time vencedor a taça “Jack Roamguera”, entregue pelo próprio diretor da Companhia Força e Luz, teoricamente “dono” do time perdedor. Mas não é comentada a sua opinião sobre a derrota.
Às três e meia da tarde entraram no campo os atletas do América e do “Dauntless” e foram intensamente aplaudidos pela enorme assistência. Não encontrei indicações que a torcida abecedista se reuniu para torcer pelo “Team” do navio de guerra inglês.
No centro do campo a moeda foi jogada para o alto pelo juiz Aníbal Azevedo e coube ao representante do time americano escolher a “Barra de baixo” como o lado onde a equipe alvirrubra potiguar iniciaria a disputa.
Com menos de dez minutos ocorre uma situação extremamente positiva. Após o segundo ataque realizado pela equipe potiguar, Acióli marca o primeiro gol rubro.
Aparentemente os marinheiros ingleses sentem a pancada, mas não desistem, bem como o time americano. Logo Hemetério sai lá da defesa rubra e obriga o goleiro Blake a realizar uma boa defesa.
Depois Jeremias Pinheiro Junior, conhecido como Pinheirão, rouba a bola de Robson, mecânico naval e armador do time estrangeiro, passa para Neném, que toca rasteiro para Glicério, que em um bom arremate marca o segundo gol para a equipe potiguar, que ocasiona verdadeiro delírio da torcida presente.
Foto ilustrativa que mostra as vestimentas dos jogadores e do juiz, na final da Taça Jules Rimet, quando o Uruguai se sagrou campeão sobre a Argentina, um ano antes do jogo entre o América e a equipe do “Dauntless”

Com este novo tento, a imprensa informa que os ingleses vieram para cima com força total em dois ataques. No primeiro Canuto salva o América de levar um gol e Hillier chuta forte para fora.
O time estrangeiro domina a partida, mas o América reage. Analisando o material descritivo do jogo, esta fase foi um dos momentos mais dinâmicos de todo o embate. Hillier chuta duas vezes para fora, mas em um ataque inglês, Acióli marca uma penalidade máxima. Tensão nas arquibancadas enquanto o juiz Aníbal apita para o jogador inglês correr para pelota e bater contra o gol de Milton.
Em uma atitude atualmente impensada, em um verdadeiro gesto de cavalheirismo, o batedor inglês dispara a bola propositadamente para longe da meta americana. Ele é muito aplaudido pelo gesto.
Logo o juiz assinalou o fim do primeiro tempo.
A segunda fase do espetáculo começou com os ingleses vindo para cima com toda a força. O América responde com um escanteio, que foi desperdiçado por Teixeira.
Os ingleses voltam para as imediações da grande área americana e, numa furada de Canuto, Lynch chuta forte e marca o primeiro gol dos marujos do “Dauntless”.
Aquele gol acorda a equipe rubra que parte a toda para o ataque, perigosamente adentrando o campo adversário pelo lado direito. Baltazar escapa e centra “por fora” e Hemetério marca o terceiro gol americano.
Podemos compreender que houve mudanças no ataque do time potiguar e estes acuaram os ingleses. Entretanto, em nenhuma página dos jornais pesquisados, foi encontrada alguma referência se a equipe americana possuía uma pessoa desempenhando a função de técnico.
Nova saída e, apesar de uma reação inglesa, o time potiguar não se deixa envolver e continua atacando e realizando boas investidas com Neném, Hemetério e Glicério.
Mas então Cartland, em uma rápida descida, faz um ótimo passe a Hillier, que entrega a Lynch, que dribla Canuto e passa a Robson, que marca o segundo gol inglês.
Notícia do triunfo americano. Jornal “A Republica”, edição de 1 de setembro de 1931

A partida pega fogo. Os ingleses com a esdrúxula combinação de azul escuro e kaki correm bastante para marcar o gol de empate. Mas a defesa rubra, principalmente com Canuto, Teixeira e Pinheirão seguram o esforço inglês de marcar um gol contra a trave do time potiguar.
Com a segurança atrás, o ataque americano parte em contra ataque, obrigando Blake a realizar difícil defesa. Mas a sua meta seria novamente atacada, desta vez por Acióli, que dispara para o gol adversário. Quando o defensor inglês tenta interceptar, acaba provocando um gol contra. Era o quarto tento americano. A torcida local delira diante do marcador.
Ocorre o quarto reinício de partida por parte dos jogadores do “Dauntless” e o jogo não para. Os ingleses investem pela direita, onde Reynaldo Praça evita um gol de Hills.
O time Rubro continua buscando o ataque e ocorre uma penalidade máxima a favor do time americano. Neném, o comandante do ataque rubro vai para a marca do pênalti, mas, tal qual havia feito o adversário inglês, ele joga a bola distante da meta do time estrangeiro. Segundo o jornal “A Republica”, neste momento o público aplaudiu com forte intensidade o gesto do jogador americano.
Logo o árbitro apitou o final do jogo, com o América vencendo a equipe do “Dauntless” por 4 a 2.
Reportagem sobre o jogo entre o Sport Club Natal e a tripulação do “Dauntless”. Jornal “A Republica”, edição de 4 de setembro de 1931

Infelizmente os jornais foram extremamente econômicos em trazer maiores relatos sobre o pós-jogo. Sabemos que na parte da tarde ocorreu no cruzador um tradicional “chá das cinco”, tipicamente inglês, onde se reuniram os oficiais britânicos e as autoridades potiguares. Mas sobre o jogo nada foi comentado nas páginas dos jornais.
Na terça feira, 2 de setembro, a equipe do “Dauntless” se bateu com o time de futebol do tradicional Sport Club de Natal. Este clube de remo da capital potiguar, fundado em 1915, tinha nesta época uma equipe de futebol.
O “Dauntless” no Canal do Panamá

Por alguma razão sem explicação nos jornais, a peleja estava marcada para começar às três e meia da tarde, mas só teve início as quatro e dez. Ficou definido que a partida teria dois tempos de 35 minutos, visto o Campo do Tirol não ter iluminação e a partida terminou debaixo de forte polêmica.
Para o jornalista de “A Republica” o jogo foi considerado muito bom e terminou empatado em 2 a 2. Mas este mesmo periodista definiu como “uma coisa imaginária” o segundo gol do time inglês.  Em sua opinião, em um lance de ataque dos jogadores do “Dauntless”, a bola nem sequer passou da linha do gol do Sport. Mas o juiz que referendou o tento era membro da tripulação do cruzador. O mesmo marujo deixou de marcar um pênalti a favor do Sport Club de Natal e ainda apontou duas vezes a marca do pênalti a favor do time estrangeiro, uma delas convertida em gol.
Para se ter uma ideia como era simples o nosso futebol nesta época, os jogadores americanos Milton, Praça, Pinheiro e Neném atuaram com a camisa rubro negra do Sport, sem que isso gerasse polêmicas nem constrangimentos.
Logo o “Dauntless” levantou ferros de Natal deixando uma boa lembrança.
Seu destino posterior foi Recife, onde sua chegada e permanência, ao menos ao visualizarmos as páginas do “Diário de Pernambuco”, foi muito mais discreta e pouco chamou atenção. Mesmo assim os ingleses jogaram bola na capital pernambucana.
A equipe do “Dauntless” preferiu se bater contra equipes de empresas inglesas com sucursais em Recife, onde inclusive havia uma numerosa colônia de cidadãos do país de Sua Majestade. Os adversários foram as equipes do “British Country Club”, da “Transport and Motor Traction Comporation” e da “Telephone Company”, onde respectivamente venceram as duas primeiras equipes de 5×0 e 6×0 e empataram com a última por 2×2.
Tripulação do “H.M.S. Daunless”

Aparentemente, depois do ocorrido em Natal, a turma do cruzador evitou confrontos com equipes recifenses, como os tradicionais times do Náutico, Santa Cruz e Sport.
Lendo as velhas páginas amareladas percebemos um forte senso de responsabilidade entre os jogadores do time rubro, onde prevalecia a ideia que eles não estavam apenas representando Natal, ou o Rio Grande do Norte, mas todo o país.
Evidentemente que a equipe de futebol do “Dauntless” não era um time profissional e alguns podem nem sequer considerá-lo uma equipe futebolística na acepção da palavra. Mas para os súditos de Sua Majestade, o futebol sempre foi algo muito sério, mais ainda no interior de uma força naval respeitada e poderosa como era a Marinha Inglesa da época, onde o esporte era intensamente incentivado e desenvolvido.
Neste sentido, esta vitória do América F.C., na primeira partida de futebol contra uma equipe estrangeira realizada no Rio Grande do Norte, não pode ser esquecida.
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